Rezenha Crítica Mary e Max – Uma Amizade Diferente (2009)

Se você não gosta de animação ou não é muito fã, tem que parar o que está fazendo e assistir Mary e Max, porque não é aquele tipo de animação que você imagina. Ou seus olhos vão levemente suar, ou ficará com algo preso na garganta difícil de engolir.

Mary e Max foi lançado em 2009, filme australiano baseado em uma história real que ocorreu no período de 1970 até o final da década de 90. Trata de vários temas bem delicados com destaque aos diagnosticados com a síndrome de asperger.

Tecnicamente falando é uma animação produzida em Stop Motion, feito com massinhas igual ao famoso título da Sessão da Tarde “Fuga das Galinhas”.

Como o próprio nome sugere, é sobre uma amizade diferente, em tempo, isso nunca poderia ocorrer em nossa atual conjuntura com uma sociedade desconfiada, regada a ódio e preconceitos. No caso estamos falando de uma garotinha chamada Mary Daisy Dinkle , solitária de oito anos, que vive em Melbourne, na Austrália e Max Jerry Horovitz que possui 44 anos e vive em Nova York. Obeso e também solitário, ele tem Síndrome de Asperger.

Sentindo-se solitária e com muitas dúvidas existencialistas (Me lembrou muito Amelie Poulain no começo) Mary resolve sortear um nome na lista telefônica  dos EUA e enviar uma carta com dúvidas a serem esclarecidas, independente de quem fosse recebê-la. Ela só não imaginava que do outro lado, alguém de outra geração (36 anos mais velho) e sofrendo dos mesmos dilemas que ela fosse ser o destinatário.

A partir daí vivenciamos como uma amizade pode transformar, independente se é física ou através de correspondências, e-mails e redes sociais. O compartilhamento de interesses sem falsidade, e a doação de atenção ao próximo pode salvar vidas e ser benéfica para afastar a solidão, depressão e demência. Mesmo com tamanha distância e a diferença de idade existente entre eles, Mary e Max desenvolvem uma forte amizade, que transcorre de acordo com os altos e baixos da vida.

Através de correspondências e por todo o filme, são tratados temas bem delicados e ainda em 2016 são tabus para a sociedade, como: Depressão, Alcoolismo, Pedofilia, Suicídio, Frustrações, Adultérios. Por isso lá em cima já adiantei que  não era com você imaginava, só não entrarei em detalhes sórdidos pra você que está lendo poder absorver e filtrar cada momento da animação.

Quem possui Síndrome de Asperger, é resumidamente como um autista em grau mediano baixo, varia de caso para caso. Mas são pessoas que não conseguem se expressar sentimentalmente como gostariam e nem conseguem interpretar de outras pessoas para eles. Causando constrangimentos e momentos de tensão para o portador e as pessoas a sua volta, isso claro que, sem intenção.

Existem muitas cenas ingênuas, singelas e tocantes ao mesmo tempo, tipicamente como eu gosto nos filmes de drama, são poucos que conseguem transmitir esta miscelânea de sensações sem forçar a barra, e este é um exemplo “venérico”.  Como por exemplo a cena do bombom “Primeiramente ame a si mesmo”, que resume bem o que é o filme, dois personagens que até então degradavam-se do seu modo e com o decorrer da história vão progredindo.

É um exemplo de animação para adultos, e como adiantei na introdução, vai fazê-lo suar pelos olhos e engolir seco em certos momentos, é um tapa com luva de pelica na cara de pessoas que simplesmente optam pela individualidade e não aceitam a sua amizade ou parceria. Estas infelizmente acabam sozinhas.

Minha nota é 5/5.

E você o que achou do filme? Conte-nos para saber sua experiência. O seu comentário é a alma do Blog.

 

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5 comentários sobre “Rezenha Crítica Mary e Max – Uma Amizade Diferente (2009)

  1. Pingback: Rezenha Crítica Túmulo dos Vagalumes 1988 | Rezenhando

  2. Eu não consegui identificar no filme a abordagem da “Pedofilia” que você se referiu em seu texto. Poderia me dizer em que cena exatamente isso acontece?
    No mais, eu adorei a crítica e a nota. Esse é com certeza um dos meus filmes favoritos e que sempre me arranca lágrimas e lágrimas dos meus olhos! Outro filme que é muito tocante e bem elaborado é “Forrest Gump, o contador de histórias”. Filme digno de muitas e muitas críticas! Fica a dica 😉

    Curtido por 1 pessoa

    • Na verdade não houve de forma direta esta cena ou abordagem. Mas a mãe de Mary rasga (ou esconde não me recordo) a carta que Max envia pra ela primeiramente, meio que dando a entender os seus pensamentos ao ver a idade dele descrita na carta. E só citei esta passagem de pedofilia referindo-se aos tempos modernos, onde se algo dessa forma ocorre, seja por rede social, carta ou contato direto daria uma merda incalculável!

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  3. Pingback: Rezenha Crítica Minha Vida de Abobrinha 2017 | Rezenhando

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