A chuva em Chapecó são as lágrimas do Brasil

chapecoense

Sim, eu acredito que em nossa vida nada é por acaso, e hoje desde o momento que os corpos dos guerreiros de Chapecó desceram e foram transportados até a Arena Condá era impossível não notar a incessante e simbólica chuva que acompanhou todo o comboio. Onde o que foi mostrado pelas transmissões ao vivo e traduzido pelas lentes, não era apenas uma chuva, eram as lágrimas de uma cidade, de um país, de duas nações , arrasadas por tamanha tragédia.

Minha história com a Chape começou em 2012, quando fui até Floripa resolver um assunto pessoal, e no aeroporto deparei-me com a camisa da Chapecoense à venda. Mesmo gostando de futebol desconhecia aquele time (Só conhecia o Criciúma, Avaí e Figueirense), fiquei curioso, e descobrindo naquela época a história da associação, virei fã na hora e desde então acompanhava a trajetória deles, mesmo distante torcia sempre, mesmo sendo corinthiano (Talves seja único clube “verde” que eu torça).

Não vou me alongar sobre meu sentimento ao saber na manhã da última terça-feira (29/11/2016) a tragédia ocorrida, acredito que foi igualmente a de todo o povo brasileiro e de nosso planeta.

A forma que tudo aconteceu gerou uma comoção imensurável e tristeza que dificilmente será cicatrizada. Um time considerado ainda pequeno no cenário nacional, e mesmo com tão pouco tempo de existência (43 anos), estava chegando a uma final de um campeonato internacional, com toda a competência e gestão de uma diretoria exemplo, e a quem acompanha nosso futebol sabe, é o que falta para 90% dos clubes, em Chapecó sobrava. Muitos times médio-grandes com mais de 70 anos nunca chegaram a um feito destes, de ao menos chegar a uma final de campeonato internacional, e lá estava a Chapecoense, orgulhando a sua cidade, a região e muitos brasileiros como eu, que mesmo não sendo um torcedor assíduo e da cidade, tinha a noção de que estávamos e iríamos ser representados com toda a vontade  e garra que este time demonstrava nos jogos, honrando o nosso país, independente se fosse campeã ou não (E sabemos que pela campanha e os times que venceu, o título era questão de tempo).

O destino quis que o time do Atlético Nacional também fosse alviverde (Cores branca e verde) como a da Chapecoense. E quase que instantaneamente após o acidente, este clube que já é gigante e representativo em todo o continente, tomasse uma decisão que o alçasse de uma das mais belas formas infinitamente para a história do futebol e mundial, tornando-se um exemplo de Fair Play e espírito de equipe, entregando à Chapecoense o título póstumo de campeã da Sulamericana 2016 (Esperamos que a CONMEBOL não estrague isso), atitude maior que esta só foi a de sua própria torcida, lotando o Atanasio Girardot e fazendo uma das homenagens mais emocionantes e lindas que já vi, chegou arrepiar os colombianos, pasmem, cantando os gritos de torcida da Chapecoense. Demonstrando que um povo sofrido, que já passou por ditaduras terríveis, guerras civis entre o Exército e as FARC por décadas, que fora dominada por um traficante influente e dentre outros problemas cruciais que em muitos casos colocam fim a qualquer país, possa ter tido tamanha sensibilidade com pessoas que nem de seu país eram, unindo umbilicalmente duas torcidas, duas nações e um mundo inteiro.

Engana-se os que não gostam de futebol que insistem que o esporte não influencia o mundo e o amor. Estes ignorantes que não entendem de futebol na verdade não entendem sobre o amor, a maior prova está aí. A comoção que todo o mundo nesse momento está tendo, a união que este triste acontecimento trouxe e as consequências daqui para frente, humanizando a todos, inclusive a mim que de um tempo para cá estava pegando nojo do futebol será positivo. A união entre os clubes brasileiros é necessário para a melhoria de condições e um calendário decente, a união entre países em uma época onde o preconceito e xenofobia tomam conta das nações, uma maior atenção aos sistemas aéreos que em defesa insistem que os acidentes são mínimos, mas em contrapartida também quando acontecem são trágicos. Estes acontecimentos infelizmente acontecem para que haja uma transformação num todo para a melhor, e pelo menos é o que aparenta que está acontecendo. Assim como uma senhora dando uma entrevista falou, que o que ela viu na Colômbia, a homenagem feita por eles só traduziu aquilo que aprendemos desde crianças e esquecemos com o tempo, que não existe ninguém melhor ou pior, somos todos iguais.

E para finalizar, deixo aqui uma citação que um grande amigo meu e jornalista que considero demais, Cássio Leonardo Carrara, mostrou-me no dia após o acidente da autoria de Artur Crispin, onde resume o que a Chapecoense representa à todos, e que concordo inteiramente, ela simplesmente nos representa, o povo brasileiro.

“Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos pra Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo uma Chapecoense. A gente sonha, luta, batalha, joga fechadinho na defesa, aguenta pressão no trabalho, salva bola em cima da linha no último minuto e quer ser campeão de algo, vibrar com a felicidade, alçar vôos altos. A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja. Nem sempre com torcida a favor, às vezes com o estádio da vida lotado, tentando virar o jogo fora de casa, mas estamos lá, buscando nossa realização, nosso conto de fadas. A gente adotou a Chapecoense porque ela é gente da gente. Com essa queda, a gente vê como se importa com bobagem, como perde energia com coisas pequenas, inclusive por aqui. Como a gente se demora em questões que não geram amor. “Donde no puedas amar, no te demores”. Já que vamos seguir na vida, é preciso ser mais Chapecoense. Se encontrar mais, sorrir mais, discordar quando for necessário, mas se respeitar mais. Cultivar os afetos, deixar os desafetos pra lá, nos livrar das âncoras e seguir com as velas. É preciso seguir, é preciso soprar. Vamo, vamo, Chape. Na metáfora dessa vida, jogo de futebol eterno, Chape somos nós.”

Torço muito que a Chape seja sempre a Chape, e que as crianças que hoje choram tanto em Chapecó ou no Brasil todo, um dia vistam esta camisa e ganhem muitos títulos para este clube que foi tido como nosso time de coração e tão amado para sempre. Vamo, vamo Chapeeeee!

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5 comentários sobre “A chuva em Chapecó são as lágrimas do Brasil

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