Rezenha Crítica Sidarta

Um dos meus passatempos nas férias de agosto foi ler Sidarta, do premiado no Nobel Hermann Hesse e indicado por um de meus melhores amigos, leitor assíduo de tudo que se pode imaginar.Um livro um tanto quanto reflexivo e te faz divagar sobre o que tem feito da vida ou deixado de fazer, focando lá na frente, já olhando para trás arrependido ou orgulhoso das decisões tomadas. Curioso não? Com estas questões filosóficas e com um pé na religião budista, Sidarta traz vários ensinamentos aos que estão em dúbia com a própria vida, os ditos espíritos inquietos.

Sidarta é um romance filosófico que busca exaltar a busca pela sabedoria e é inspirado na vida de Siddhartha Gautama, fundador do budismo. O jovem Sidarta abandona sua casa e família à procura de uma vida de contemplação, visando atingir a plenitude espiritual e mantendo-se fiel à sua própria alma.

A obra tem um início vagaroso com vários termos que perderam a importância com o tempo e de complexa interpretação, podendo fazer com que o leitor desista sem antes chegar ao meio do livro e o desenvolvimento, que é justamente após a fuga de Sidarta do vilarejo onde morava.

Apesar de termos um encontro com Buda no livro e nos depararmos em outros momentos com conceitos budistas não é uma história que tem a intenção de forçar uma conversão, é algo passageiro para fazer refletir de uma forma suave, nada opressora no modo imperativo, isso deixa a leitura mais tranquila e focada nos conflitos de Sidarta para consigo mesmo.

No fundo Sidarta era uma pessoa infeliz, assim como li e o próprio disseminou pelo mundo, as mentes divagantes são as mais infelizes por nunca encontrarem aquilo que desejam, muito por terem uma noção da vida ilimitada sempre buscando mais, não confundindo com a ambição.

Vamos acompanhando sua caminhada para se libertar de qualquer tipo de conforto e ilusão que podia lhe ser imposta. A busca pelo conhecimento da verdade se funda com o caminho para a perfeição. Perfeição essa que condiz com o entendimento que na vida, desejo significa sofrimento e o nirvana é possivelmente alcançado quando nos iluminamos e descobrimos o caminho do meio.

O caminho do meio foi sendo percebido depois de muita experiência (“A corda muito apertada rebenta e muito frouxa não produz som”), onde prazer e privação, demais, se mostravam sem finalidade alguma, a não ser, sofrimento.

É um livro curto que após um início complicado a leitura desenvolve-se fácil, um dos livros que li mais rápido até hoje, e olha que para ler algo rápido tenho que estar inspirado e a obra ajudar também.

Me ajudou de alguma forma refletir sobre algumas atitudes que estava tomando e porquê de algumas infelicidades que sentia sem uma explicação até então.

Abaixo algumas citações que vale a pena destacar e que permearão por toda a minha vida.

“(…) a maioria das criaturas humanas é como folha arrancada, a flutuar e revolver-se no ar, até ir ao chão. Outras, porém, parecem-se com os astros que andam numa órbita fixa, sem que nenhum vento possa alcançá-los, e têm em si próprios sua lei e sua rota.”

“O pássaro canoro com o qual sonhara estava morto. Morto estava o pássaro que cantara no âmago da sua alma. Por todos os lados, enredara-se no Sansara. Impregnara-se completamente de nojo e de morte, assim como uma esponja absorve a água, até ficar cheia. Sentia-se abarrotado de desânimo, de mal-estar, de agonia. Em todo o vasto mundo já não existia nada que o pudesse atrair, que fosse capaz de causar-lhe alegria e de trazer-lhe conforto.

O que ele almejava mais do que tudo era não saber nada que lhe dissesse respeito, era encontrar sossego, estar morto. Oxalá que um raio se abatesse sobre ele, matando-o! Quem lhe dera que um tigre o devorasse! Ah, se houvesse um vinho, um veneno que conseguisse atordoá-lo! Existia, por acaso, alguma sordidez com que ele se não houvesse poluído, alguma tolice, algum pecado que se tivesse omitido de cometer, algum vazio da alma jamais experimentado por seu espírito? Seria possível ainda continuar a viver, aspirar o ar uma e outra vez, expeli-lo novamente, sentir fome, comer, dormir, deitar-se ao lado de uma mulher? Não se haviam esgotado as variantes do circuito? Ainda não estaria alcançando o fim de tudo isso?”

Minha nota é 3/5.

E você já leu ? Conte-nos para saber sua experiência. O seu comentário é a alma do Blog.

Siga-nos no WordPress – https://rezenhando.wordpress.com/
Siga-nos no Twitter – https://twitter.com/Birovisky
Curta no Facebook – https://www.facebook.com/rezenhandoaculturapopaz/
Inscreva-se no Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCCfmjZm3KuEE-XsNhfBnqvQ

2 comentários sobre “Rezenha Crítica Sidarta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s