O mal da Obsolência Programada

Obsolencia Programada

Vivemos em um dilema, a Obsolência Programada é realmente necessária ou só atrapalha a vida do consumidor? Tudo depende de que lado você está sabia? Eu sou daqueles que primo por produtos resistentes e sempre tive sorte com isso (acabo sendo taxado como acumulador), mas se o mundo todo simplesmente amasse o que tem (não cansasse daquele celular que “saiu de moda” para comprar um que acabou de lançar) e as empresas lançassem produtos sem uma vida útil pré determinada, resistentes e praticamente “eternos” (um exemplo que vou dar foi na minha cidade com uma empresa) será que isso seria bom para economia como um todo?

Para entender melhor, primeiramente o que é essa tal Obsolência Programada que esse louco tá falando? Em resumo é quando uma empresa fabrica um produto já com seu tempo de vida útil determinado, um exemplo são as TV’s que tem um tempo em horas ligadas antes de queimar. Mas hoje este conceito está muito mais em evidência do que no século passado, muito mais rápido, por isso a sensação de que os produtos de hoje duram menos do que os da década de noventa.

Este conceito foi criado na década de trinta para estimular o consumo após a crise da bolsa de mil novecentos e vinte e nove, gerando lucros e diminuindo o tempo de compras e intervalo de substituição de algum produto. Como eram outros tempos, a geração de lixo em conjunto com outros fatores era menor, a obsolência era menos evidente, como exemplo novamente vamos usar as TV’s, aquelas de tubo que seu pai ou avô compraram há muito tempo atrás, se deu um problema foi muito (com exceção de queimar por raios, porque aí foi uma causa extra que não dependia dela para dar problema) e se você ainda tem uma “aposentada”, se ligá-la vai funcionar normalmente (se o sinal analógico em sua cidade não tiver sido desligado, mas aí é só colocar um conversor digital que estará tudo certo).

Eu tento usar um produto até quando não dá mais, literalmente, vide meus tênis e meu Nexus 5, celular de 2013, mas que nesse período quebrei a tela por cagada própria e ao invés de simplesmente trocar de aparelho, arrumei o mesmo. O duro que fui “pego” pela tal Obsolência por causa da Google, que mesmo o aparelho hoje rodando “liso” não recebe mais atualizações desde o começo de dois mil e dezessete, um ABSURDO, só para forçar o usuário a comprar um aparelho mais atualizado.

A obsolescência é fruto do individualismo, consumismo e do desperdício.

Se formos analisar a tal Obsolência do lado de quem produz ela é necessária, como exemplo vou dar da empresa Bambozzi da minha cidade de Matão, até hoje ela não se recuperou do BUM que levou na virada do século muito por conta dos produtos eternos que fazia, no caso, suas máquinas de solda que nunca “davam pau”. As pessoas compravam e usavam, usavam e usavam e nunca voltavam para comprar outra. Isso é bom? Lógico que é, mas não é todo mundo que compra uma máquina de solda, então suas vendas começaram estagnar e as consequências foram fruto de uma bola de neve, com atraso de pagamento a funcionários, demissões, etc. Não faliu, conseguiu se reinventar, mas sofre até hoje por ter feito um produto “perfeito”.

Cada caso é um caso, mas nesta geração maluca em que vivemos a necessidade da troca muitas vezes nem é uma necessidade e sim um impulso do consumidor por novidades o que alimenta este mercado, consequentemente gerando muito mais lixo eletrônico, de forma incontrolável e inimaginável, onde algumas entidades tendo que se virar parar reciclar e as próprias empresas trabalhando no desenvolvimento de produtos novos que ao serem descartados, seus componentes possam ser reaproveitados para outras coisas, se descartados de forma correta, é um ciclo vicioso.

Nesta década a Obsolência Programada teve “duas filhas”, a Obsolência Técnica e a Psicológica. A Obsolescência Técnica, aquela em que uma falha ou limitação mecânica do produto impede a continuidade de sua utilização, forçando uma nova compra (Iphone?). No entanto, há também a Obsolescência Psicológica, aquela em que o consumidor é incitado a comprar um novo produto mesmo que o seu aparelho atual esteja em correto funcionamento.

Eu luto contra a Obsolência, vivencio isso no meu dia a dia. Tenho um carro de 94 e vou remendando o mesmo, uso um celular de 2013 (sendo que antes usava um Nokia N73 que só aposentou porque foi necessário utilizar Android até por causa da minha área de atuação), o computador do meu trabalho é um servidor HP que ia ser descartado e dei um UPGRADE, o meu primeiro PC eu reformei com peças que foram jogadas no lixo eletrônico e hoje ele serve como um reprodutor de filmes conectado em HDMI na TV (Netflix e Stremio) e fora outras coisas a mais.

Hoje está desenfreada, alimentada pela ansiedade do mercado, antes, produtos tecnológicos tinham vida útil de cinco a seis anos, hoje segundo algumas pesquisas caiu para dois, então fica aí este alerta.

Curiosidade

Vocês sabiam que existe uma lâmpada eternamente acesa que fica na sede do Corpo de Bombeiros de Livermore, na Califórnia. A tal lâmpada está lá iluminando ininterruptamente desde 1901 e neste ano comemorará 117 anos. Não estou de zuação. Tem até um nome: Centennial Light (clique aqui e abra o site deles).

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10 comentários sobre “O mal da Obsolência Programada

  1. Eu gosto de estar atualizado. Tudo tem um tempo e um limite. Entendo que o conceito de programar o limite é uma estratégia das empresas. Mas nós como consumidores sabemos quanto o lance ainda funciona ou se o que a gente quer é o modelo à toa.

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