Mãe! Uma discutida, polêmica e inesperada odisséia

Wallpaper Filme Mãe!

Não consegui nem deixar o costumeiro título que normalmente faço para as “rezenhas” de filmes tamanho o choque pós sessão de Mãe! Não que isso seja ruim, pelo contrário, se você está assim como eu antes de ir assistí-lo, ou seja, cru e bem VIRGEM, sem muita informação do filme apenas com o trailer em mente continue assim, e vá ao cinema vê-lo, você precisa disso, o processo de conscientização e renovação será fatal. Confiram a “rezenha” crítica de Mãe! com alguns spoilers, é impossível tecer algumas palavras sem.

Se você é um daqueles telecpectadores que fica muito preso à sinopse, desprenda-se, o filme desde seu PRIMEIRO SEGUNDO te dá a chance de abrir a mente e estar pronto para o que der e vier com a chuva de simbolismos por suas duas horas de duração. A imersão ao universo de Aronofsky é clara (ou seria melhor negra? ksksks), trazendo à tona diversos temas atritais de forma metafórica e subliminar. Isso já podia ser notado em vários de seus trabalhos passados como Réquiem para um Sonho e Cisne Negro, ambos fantásticos, sendo que  último enrolei um ano paara assistir com certo preconceito e me arrepdendi depois d enão ter ido ao cinema ver. Um que já adicionei a minha lista e desconhecia era Pi, de 1999 e que em breve vou conferir.

Você não precisa sentir-se pressionado a querer entender o filme como um todo, eu por exemplo só consegui uma compreensão maior no pós sessão discutindo com minha mulher (que foi comigo). Na mesa redonda que fizemos na lanchonete consegui expor alguns pontos e ela os completou chegando a algumas conclusões superinteressantes.

Eu não sou um leitor assíduo mas Aronofsky bebeu muito da ácida fonte biblíca narrada por José Saramago, quem leu Caim e O Evangelho Segundo Jesus Cristo ficará chocadamente feliz como o filme é dirigido, mesmo até sem querer, o filme consegue traduzir tudo o que imaginei destas duas obras se um dia fossem adaptados como filme.

Os planos de filmagem incomodam de uma forma positiva, fogem do convencional com uma câmera móvel acompanhando por toda a casa Jennifer Lawrence sempre em movimento sem proecupar-se com enquadramento, uma desconstrução técnica de filmagem que neste caso funcionou bem com o clima claustrofóbico de uma casa com dois andares sendo reformada em meio a ausência e o silêncio que a dupla demonstra no começo do filme.

Eu sou muito fã do Javier Bardem mas aqui fico de joelhos ao que Jennifer Lawrence conseguiu finalmente entregar, algo digno de tanto clamour que ela desfrutava de seus fãs e não via nada demais. Esteve sob vários aspectos, situações de calmaria, de amor até a ápices de stress absoluto como por exemplo parir uma criança em meio ao caos, e conseguiu  em todos estes planos chegar no limite de uma excelente atuação, se o Oscar não for para ela, será uma tamanha injustiça. O espanhol Bardem mostrou também porque é um baita ator, pelo que seu personagem representava ele manteve-se alienado e a todo momento indiferente e iludido com as situações, incrível a sensação de indiferença que ele mantinha, era desconfortante, mas positivamente, e a obra toda é assim um incomodo bom CARALHO! Além do arco principal, dois coadjuvantes de peso, Ed Harris e Michelle Pfeifer destroem durante todo o filme, em alguns momentos irreconhecíveis…  CARALHO, CARALHO e CARALHO!!! Não sei alguém aí leva estatueta, mas são sérios candidatos.

Spoilers sobre os significados e simbolismos no final do filme Mãe!

Desde o princípio estamos diante de Deus, figura mitológica que durante o filme é descontruído por Aronofsky  e tenta nos mostrar como Ele, uma figura adorada, corrompe-se diante de tamanha adoração e como isso pode ser um caos para uma sociedade que começa a tomar para si os pensamentos de seu ídolo adorado disseminar com sua visão própria a mais gente sobre o que entende ser o certo.

Deus na visão de Aronofsky é uma figura egoísta que  só pensa em como ele, com o seu poder de dissernimento e criativo, pode ajudar as pessoas que o procuram, ignorando aquilo que já criou e teoricamente para na visão dele está “tudo bem”.  Ele também por estar em processo criativo fica a todo momento na busca pela obra perfeita, e quando uma artista desenvolve projetos e o mesmo, o desenvolvedor está insatisfeito muitas vezes é mais fácil criar do zero algo novamente do que simplesmente remendar, o que explica muita coisa diante das voltas que o filme dá sempre com uma roupagem diferente a cada nova criação.

Em contrapartida Jennifer Lawrence interpreta a tal “Mãe” que podemos entender de  duas formas, como  a natureza, criada por Deus ou como a fé, que só existe porque as pessoas a têm por algo que acreditam ser maior e poderosa que elas.  Ela é quem ajuda o Javier Bardem a construir a casa e sempre tenta manter um relacionamento íntimo com ele.

Quando deus e a fé realmente se relacionam profundamente é que se gera um filho, que é visto depois como um salvador da humanidade… JESUS CRISTO!

À partir do momento em que os homens começam a idolatrar Deus, cada vez mais cegamente, a fé vai se perdendo. Isso porque os homens começam a interpretar as palavras de Deus com visões cada vez mais individualistas, se preocupando apenas consigo mesmo, fazendo com que a pura fé que existia no início esteja se perdendo e ficando cada vez mais ferida.

A casa como um todo, podemos subentender como nosso planeta, afinal é nele que o filme todo ocorre e onde todos os conflitos, pecados entre outras atrocidades ocorrem, como por exemplo dois fatídicos e midiáticos homícidios. A analogia não é só em relação a bíblia, mas também à realidade. Toda essa confusão acontece no mundo o tempo todo e só suportamos porque estamos vivendo num ciclo vicioso, estamos cegos, nos destruindo. destruindo a nossa “casa”, e com isso a nós mesmos pois “não temos para onde ir” (como em dado momento do filme que a Mãe nunca consegue sair da casa ou até mesmo os cegos de espiríto que estão desolados à procura da palavra do personagem Ele).

Além das metáforas bíblicas, nos confrontamos com muitos outros momentos que marcam a quem assiste como a submissão que a mulher “precisa” ter diante do seu homem,  e  a não obrigatoriedade desta reciprocidade do homem para com a mulher dando margem à indiferança, as guerras e conflitos civis sem nenhuma justificativa, o ESTUPRO que o ser humano faz com o planeta Terra, arrancando seus bens como se fossem seus e levando consigo (estes momentos ocorrem quando as pessoas sem mais nem menos passam a quebrar tudo na casa do casal e levar embora).

“Mãe!” é uma poesia crua e melancólica, visceral (amo essa palavra) chafurdada no desterro e lamaçal de uma sociedade envenada e suicida. Você sente… você sabe que não haverá um final feliz, você não imagina o que te espera se logicamente você ir tão virgem quanto Maria conferir esta obra prima do cinema, sério candidato ao Oscar de melhor filme, se bem que academia priveligia mais dramalhões chorosos sendo em suma sempre injusto com quem realmente merece.

Pesado, abstrato, desfila por vários simbolismos foi feito estritamente para instigar, ficar pensando por várias horas e dias sobre o que acabou de ver, se como você pensa e age está certo, e a partir daí você auto definir-se. Um divisor de águas.

Iria assistir de novo? Com certeza, inclusive um dia depois de ter assistido a primeira vez.

Minha nota é 5/5.

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5 comentários sobre “Mãe! Uma discutida, polêmica e inesperada odisséia

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  4. Que análise sensacional! Esse filme realmente é um ponto fora da curva que mexeu com muitas das minhas sensações, e com certeza é digno de muitos prêmios, pois Aronofsky foi genial em sua produção e direção. Uma obra que não tem que ser explicada, e sim experimentada. Vi a quantidade de gente estúpida criticando o filme, mas o que elas esperam é um roteiro simplista e comum, sempre mais do mesmo, com um final feliz. Parabéns Calabrez!

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