Rezenha Crítica A Chegada 2016

Voltando a nossa década, mais especificamente 2016, finalmente pude assistir ao famigerado A Chegada do meu querido Denis Villeneuve, com a intenção de atualizar-me para o Oscar e não “Gloria Pirezar”.  Confiram a rezenha crítica de A Chegada.

Assim como Cronenberg, Villeneuve é um dos meus diretores favoritos, acompanho-o desde Incêndios, pirei com aquela porra quase que paralelo ao seu lançamento, é muito bom quando pegamos certas obras logo após serem lançadas e não apenas anos e anos depois. E fui acompanhando sua carreira, quando lançou Os Suspeitos e Sicario curti demais, é um clima que ao mesmo tempo soa monótomo e é tenso, difícil explicar como ele consegue unir estas duas sensações, só que o melhor de tudo é que ele é cru e com desfechos sensacionais, se precisa ser violento ele é, se precisa surpreender ele surpreende agradando ou não, e quando fugiu desta nuvem de conforto como no O Homem Duplicado aí que foi o seu ápice, adaptação da obra do meu autor favorito José Saramago, muito complexa a história, entretanto resultou em um filme muito bem adaptado entregando uma história como tinha que ser, mão do diretor, lógico.

Só que todos que alcançam seu ápice e “popularidade” chega a ser inevitável uma eminente queda, variando do indivíduo ter uma queda mínima e constante ou aguda. E neste produto onde Villeneuve tinha mais orçamento e visibilidade é notório uma queda qualitativa. E por quê?

Somos apresentados a um roteiro muito bem amarrado (Apesar de exagerado), com questionamentos atuais sendo inseridos, como por exemplo: o desentendimento entre as nações, a bolha prestes a estourar na mão de algum maluco que esteja no poder de alguma delas, espaço tempo e as formas como encaramos isso. São questões com propostas sérias e que deveriam ser debatidas, mas em alguns momentos acaba fugindo, ficando algo meio exagerado e supérfluo, sem o devido questionamento que o próprio filme propõe (Os alienígenas também).

Daquela marca monótoma e tensa do Villeneuve  imperou apenas a monotonia arrastando-se por todo o longa. Achei muito criativa a ideia do passarinho que por um tempo fiquei me perguntando, mas depois lembrei de uma história que outrora havia lido sobre mineradores realizarem o mesmo procedimento para identificarem alguma radioatividade ou toxina no lugar, resumindo, se o passarinho morrer, não devemos entrar sem proteção.

Não que eu estivesse esperando por explosões ou invasões, mas a proposta de tensão vai se perdendo e tudo vai parecendo muito artificial no filme como se no final tudo fosse dar certo. O desenvolvimento demora acontecer, e o que salva é o tal roteiro amarrado com um bom desfecho, sem muitas surpresas, e é o que estamos acostumados nos filmes do Villeneuve não isso. Talvez o ponto positivo foi ter fugido do padrão Hollywoodiano dos filmes de invasão Alienígena, e só.

Efeitos visuais e especiais não me agradaram com exceção da entrada da nave, fora isso tudo muito datado, quiseram fazer uma homenagem talvez a 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas ficou apenas na boa intenção, execução péssima. Deveriam ter assistido Interestelar e inspirado-se.

Em muito lugar fala-se na injustiça sobre a não indicação de Amy Adams ao Oscar, talvez seja a primeira vez que sou obrigado a concordar com os críticos da academia.

Assisti A Chegada de madrugada e me tirou o sono, não pelo fato de ser um filme fantástico ou com um roteiro que te faz explodir a cabeça e ficar refletindo a noite toda com aquilo (Foi vendido com este propósito), quiçá o mês, é mais em razão de ser o primeiro filme pop do canadense com alta expectativa e visibilidade mundial antes do lançamento e que acabou gerando um receio com o seu próximo trabalho, Blade Runner 2049, que é ainda mais cultuado e com uma visibilidade e expectativas muito maiores. Esperamos que não nos decepcione. Resumo da obra: Superestimado.

Minha nota é 3/5.

E você o que achou do filme? Conte-nos para saber sua experiência. O seu comentário é a alma do Blog.

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5 comentários sobre “Rezenha Crítica A Chegada 2016

  1. Pingback: Qualia 2.2 Ferramentas de Navegação Padrão: Linguagem | COMPUTAÇÕES ANÔMALAS

  2. Devo dizer que gostei mais do filme do que você, mas claro que isto é só questão de gosto. Eu gostei da fotografia minimalista e elegante, do desenvolvimento da trama, com a crise global ficando cada vez mais intensa, achei a protagonista carismática, e o tema central, a neurolinguística, foi o que mais me chamou a atenção. Gostei também como o filme “brinca” com o espectador, com os supostos flashbacks, bem criativo. Temas ontológicos em obras de ficção sempre me parecem suculentos. No entanto, fiquei um pouco decepcionado pelo fato do enredo se basear demais na teoria ultrapassada de linguagem conhecida como “relativismo linguístico”, que se originou com os linguistas Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf. O resumo da teoria sapir-whorf é que a a linguagem molda a mente. Sem me alongar muito, o que está de errado com ela é que, na realidade, é justamente o contrário. Achei extremamente inverossímil a ideia de um cérebro humano absorvendo a linguagem de uma civilização alienígena avançadíssimo, e esta linguagem cedendo poderes sobrenaturais ao humano. Acho mais verossímil como é nos contos de Lovecraft, em que os humanos sempre acabam enlouquecendo ao tentar compreender os deuses anciãos. Um cérebro humano tem muitas estruturas biológicas inatas, e a nossa linguagem se desenvolveu para elas, não é um computador de propósito geral que pode se adaptar à qualquer software. Não que isso tire o mérito artístico do filme, mas assisti mais ou menos como assisti Lucy (que se baseia na teoria dos 10% de uso do cérebro), com uma boa pitada de suspensão de descrença.

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